Numa demonstração da incrível organização do governo dinamarquês, todos os residentes por mais de três meses na Dinamarca precisam tirar um documento que eles chamam de CPR-Number. Avisadas sobre isso, eu a Dê acordamos cedo no nosso primeiro dia na Dinamarca e partimos numa empreitada a pé até o endereço do escritório onde, supostamente, tiraríamos o tal documento. Seria nosso primeiro contato "sério" com os dinamarqueses e rolou uma tensão ao pensar que a gente podia não entender o inglês deles ou trombar com alguém que só falava dinamarquês. Mal sabíamos nós que os dinamarqueses falam inglês muito fluentemente (do porteiro ao motorista do busão, do vendedor da quitanda aos senhores e senhoras na rua). Ao chegar lá no tal escritório, nos deparamos com uma velha tosca (até agora, uma das únicas má impressões que tivemos dos Danes) que resolveu supor que a gente não falava inglês e usar palavras chaves pra se comunicar com a gente. Mas, ao invés de escolher palavras-chaves esclarecedoras como "wrong place", "go to Frederiksberg office" e "not here", ela escolheu "unusual" e algo que nos soou como "Ferrediksbeár" para tentar nos explicar que, como estamos morando na Frederiksberg Kommune, uma espécie de distrito de København (estilo Barão), precisávamos ir ao escritório específico dessa tal comuna e, aí sim, tirar o documento. Finalmente, depois de ouvir a mulher repetir "unusual" e "Ferrediksbeár" umas quinze vezes, ela teve a presença de espírito de rabiscar o København da nossa ficha de inscrição, escrever Frederiksberg (aaahhh, era isso que ela tava tentando falar!!!) e nos entregar um mapa com o tal lugar assinalado. Ok! Resolvemos almoçar como duas quase dinamarquesas, pobres, e compramos uma espécie de marmitinha fria que eles comem por aqui, e que, no nosso caso, era de bola de carne de porco frita e salada de batata. O problema é que a marmitinha vem sem talheres, e estávamos mortas de fome e longe da nossa casa. Do nada, surgiu a entrada para um lugar verdejante na rua, na nossa frente, e entramos. Mal sabíamos, mas a gente tinha chegado no maravilhoso Ørstedsparken, um dos muitos parques lindos que eles tem, misteriosamente mocosados no meio da cidade. Foi lá mesmo que sentamos no gramado e comemos a marmita... com a mão. Hahahaha, que beleza! =)

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Termino o post observando que podíamos ter entrado numa agência de turismo. Numa escola. Num restaurante, num porto, numa casa, num circo ou num pet shop. Mas NÃO!!! ENTRAMOS NA CASA FUNERÁRIA!!! Hahahaha... Não obstante ainda acabamos perdendo o horário do escritório (já que o senhor funerário fez o simpático favor de ligar lá pra perguntar até quando ficava aberto e nos explicar o caminho), e tivemos que voltar no dia seguinte...





Um comentário:
Ahauhauhauha...
Janinha, nao tinha conseguido ler sobre as suas aventuras ainda, flor!
Mas jah comecei a me divertir aqui!
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