...Quase morrer por um CPR-Number.

sábado, 7 de agosto de 2010



Numa demonstração da incrível organização do governo dinamarquês, todos os residentes por mais de três meses na Dinamarca precisam tirar um documento que eles chamam de CPR-Number. Avisadas sobre isso, eu a Dê acordamos cedo no nosso primeiro dia na Dinamarca e partimos numa empreitada a pé até o endereço do escritório onde, supostamente, tiraríamos o tal documento. Seria nosso primeiro contato "sério" com os dinamarqueses e rolou uma tensão ao pensar que a gente podia não entender o inglês deles ou trombar com alguém que só falava dinamarquês. Mal sabíamos nós que os dinamarqueses falam inglês muito fluentemente (do porteiro ao motorista do busão, do vendedor da quitanda aos senhores e senhoras na rua). Ao chegar lá no tal escritório, nos deparamos com uma velha tosca (até agora, uma das únicas má impressões que tivemos dos Danes) que resolveu supor que a gente não falava inglês e usar palavras chaves pra se comunicar com a gente. Mas, ao invés de escolher palavras-chaves esclarecedoras como "wrong place", "go to Frederiksberg office" e "not here", ela escolheu "unusual" e algo que nos soou como "Ferrediksbeár" para tentar nos explicar que, como estamos morando na Frederiksberg Kommune, uma espécie de distrito de København (estilo Barão), precisávamos ir ao escritório específico dessa tal comuna e, aí sim, tirar o documento. Finalmente, depois de ouvir a mulher repetir "unusual" e "Ferrediksbeár" umas quinze vezes, ela teve a presença de espírito de rabiscar o København da nossa ficha de inscrição, escrever Frederiksberg (aaahhh, era isso que ela tava tentando falar!!!) e nos entregar um mapa com o tal lugar assinalado. Ok! Resolvemos almoçar como duas quase dinamarquesas, pobres, e compramos uma espécie de marmitinha fria que eles comem por aqui, e que, no nosso caso, era de bola de carne de porco frita e salada de batata. O problema é que a marmitinha vem sem talheres, e estávamos mortas de fome e longe da nossa casa. Do nada, surgiu a entrada para um lugar verdejante na rua, na nossa frente, e entramos. Mal sabíamos, mas a gente tinha chegado no maravilhoso Ørstedsparken, um dos muitos parques lindos que eles tem, misteriosamente mocosados no meio da cidade. Foi lá mesmo que sentamos no gramado e comemos a marmita... com a mão. Hahahaha, que beleza! =)


Depois, rumamos na direção do escritório em Frederiksberg onde devíamos tirar o tal documento. Agora, depois de tudo, pensando e refletindo bem, o que aconteceu foi uma enormíssima (com o perdão da palavra) cagada. Mas, naquela hora, partindo do princípio que éramos duas meninas brasileiras em seu primeiro dia na Dinamarca, em meio a uma pronúncia insana e a nomes de rua totalmente sem sentido, a confusão nem foi tão ruim assim, mas foi no mínimo... de CHORAR de rir. Bom. O lugar que precisávamos ir se chamava alguma coisa tipo "NganblhuidbnpkService". Ou, brincadeiras a parte, "palavratipicamentedinamarquesaService". Chegando perto do endereço, com uma eficiência de dar orgulho até, vimos uma placa onde se lia algo como "NkjhkjhabjehfgefhgfhService" e entramos. Sim, VOCÊ, sentadinho aí na sua cadeira, com calma e atenção, percebeu que os dois "Nahakjahkajajfajhaf" são diferentes. Mas nós, naquele contexto, não. Resultado: o senhorzinho de dentro do estabelecimento terminou a sua chamadinha telefônica, deu aquele sorrisão pra gente e perguntou no que podia nos ajudar. Nós explicamos a situação e sentamos na cadeirinha, esperando que ele pedisse nosso passaporte e o visto, mas ele fez uma cara estranha e insistiu "no que podia fazer por nós". Depois de conversar um pouco, o senhor riu perguntou pra gente se nós sabíamos o que eles faziam naquele lugar. Ele próprio respondeu, muito educado: "Isso daqui (BegravelsesService) é uma Casa Funerária!".

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Termino o post observando que podíamos ter entrado numa agência de turismo. Numa escola. Num restaurante, num porto, numa casa, num circo ou num pet shop. Mas NÃO!!! ENTRAMOS NA CASA FUNERÁRIA!!! Hahahaha... Não obstante ainda acabamos perdendo o horário do escritório (já que o senhor funerário fez o simpático favor de ligar lá pra perguntar até quando ficava aberto e nos explicar o caminho), e tivemos que voltar no dia seguinte...

Um comentário:

Ná Saleh* disse...

Ahauhauhauha...

Janinha, nao tinha conseguido ler sobre as suas aventuras ainda, flor!
Mas jah comecei a me divertir aqui!

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