A Exibição de Jurassic Park mais Cara da História

sábado, 4 de setembro de 2010


Hej, mine venner!
Hvordan går det?
Her, går det finne... Eller nœste finne... Em caracteres normais, "Aqui as coisas vão bem... Ou quase bem..."

Por quê?
Bom, como alguns sabem e outros não, PERDI MEU
PASSAPORTE!!! EM LONDON! E fui mandada de volta pra Copenhagen!!!

Então alguns me perguntarão: então por que tá "tudo quase bem", e não "tudo mal"? Hahaha...
Bom, porque, por incrível que pareça (ou não, dependendo do seu nível de fé no serviço público), as Embaixada do Brasil aqui foi a coisa mais eficientes que eu já vi, e já tenho um Passaporte novinho em folha - e zerado - em mãos!

Mas antes de falar do novo Passaporte, preciso falar de como eu perdi o antigo... E também de todo o infinito tempo transcorrido entre esse fatídico acontecimento e o restabelecimento da ordem no Mundo (não estou exagerando, perca seu Passaporte pra ver como é), por decorrência da chegada do meu novo filhote azul.

A Viagem
Tudo começou numa linda madrugada mais ou menos fria (fria pra ca*****, então, nos padrões brazucas). Eu e Denise acordamos, lindas e formosas, fechamos nossa casa e rumamos na direção do aeroporto de Copenhagen para pegar nosso voo low cost. Mal sabia eu que de low cost essa brincadeira não teria é nada! Hahaha...

Bom, como ainda me dói - no bolso, pra ser bem sincera - contar essa história, vou ser bem sucinta. Entrei no avião. Coloquei o Passaporte no banco pra enfiar a mala no bagageiro... E era uma vez um Passaporte azul.

A Chegada
Minha empolgação de ter colocado os pés em solo londrino deve ter durado o quê... Uns cinco minutos? Chegando no vagãozinho que dá a volta no aeroporto, fui pegar o Passaporte no Money Belt eeeee... Cadê? Pois é. Ainda corri, subi escadas rolantes que desciam (sim), tentei bater na porta, mas o caminho até o avião estava fechado e bloqueado...
Sem alternativas, acabei indo pro balcãozinho onde carimba o Passaporte, ainda firme e esperançosa... Tinha deixado meu Passaporte no avião (um pequeno, ainda), alguém ia achar ele pra mim e eu ia passar o resto da tarde dando comida pros esquilos do Hyde Park. Certo?

Bom, novamente, vou ser bem sucinta. O povo da fronteira mandou revistar o avião atrás do meu Passaporte... E em cinco minutos me vieram com a mensagem de que não tinham encontrado nenhum no avião. CINCO MINUTOS? Devem ter revistado que nem o nariz, mas o fato é que em mais cinco desesperadores minutos lá estava eu, chorando que nem uma retardada, sendo encaminhada pra tal Holding Room da KU Border...

Na Holding Room
Quem nunca perdeu o Passaporte (ou seja, todas as pessoas espertas do mundo! Hahaha...) não sabe o quanto é desesperador ser encaminhado para uma sala no interior do aeroporto por algumas senhoras fardadas... Tenho que ser bem sincera: apesar dos pesares, fui muito bem tratada por elas. Não sei se foi minha cara de criança de 14 anos, se foi meu choro pseudo-contido ou se foi minha tentativa de me manter bem-humorada (chorando), mas o fato é que elas se compadeceram de mim de uma tal maneira que, enquanto tiravam minhas impressões digitais (sim, sim, imagina o medo), elas falavam: "Não chora não, minha filha!!! Você não é criminosa, você não vai ser presa!!!"... HAHAHAHAHA COMO ASSIM, PRESA?

Bom, enfim. Fim das impressões digitais, as mulherzinhas fardadas dizem Adeus e me enfiam numa salinha minúscula DENTRO da Holding Room, e surge uma outra mulher - dessa vez bem novinha - fardada.

"Oi, tudo bem?"
"¬¬"
"Ok, tudo bem dentro do possível?"

Seguindo a linha sucinta desse post, nas duas horas que se seguiram, fui:
- Entrevistada;
- Fotografada; (Vide foto com cara inchadíssima ao lado) -->
- Revistada;
- Entrevistada;
- Alimentada;
- Consolada;
- Entrevistada;
- Consolada;

Não, não repeti o entrevistada e consolada sem querer, não, foi realmente o que mais fizeram comigo! Hahahaha... Bom, terminado todo o processo "burocrático", eu finalmente recebi a simultaneamente desesperadora e aliviante notícia de que teria que ser mandada de volta pra Copenhagen. COPENHAGEN! COPENHAAAAGEEEENNN!!! Não Brasil? Jura? Copenhagen?

"Agora - 15h - é só esperar, seu voo sai 18h45..."

Sair de Copenhagen só para Assistir Jurassic Park em London e Voltar - 300 reais
Cookies - 3 reais
Falar Inglês - Não Tem Preço

Bom, então não tinha escolha. Tinha que arrumar o que fazer por quase 4 horas, enfurnada numa salinha fria cheia de cavalos marinhos pintados na parede, tendo apenas um celular com a mensagem "Don't worry! U'll be fine!" (me senti tipo Mochileiro das Galáxias), algumas batatas chips e lanches de frango de graça, revistas de fofoca inglesas, bíblias diversas e... Peraííííí... Eles tem um DVD Player... E DVD's...

É verdade quando dizem que, no desespero, alguns talentos inesperados simplesmente afloram nas pessoas. E, no meu caso, além do meu inglês ter melhorados uns 500% (tipo Lord Byron desceu em mim), eu criei um cara de pau inacreditável e finalmente decidi que, já que eu tava lá mesmo, "extraditada" e presa na saleta até segunda ordem, eu ia ficar confortável.

Peguei um travesseiro e uma cobertinha, tirei o tênis, pedi pra colocar um DVD no aparelho - o que me ocorreu, na hora, foi Jurassic Park (já que as opções não eram ASSIM tão animadoras) -deitei nas cadeirinhas, coloquei o aquecedor debaixo do banco, pedi pra pegar meus cookies na mochila e ainda ganhei um chocolate quente da mocinha que era responsável por mim, "pra combinar com o seu cookie!". Passei a tarde vendo o Ian Malcon fugir do Tyranossaurus rex e o Timmy ser jogado da cerca elétrica, legendado em inglês, discutindo com minha "tutora" o quanto a cena dos velociraptores na cozinha era aterrorizante, porque ela não devia comer meus cookies já que ela estava pra casar e como as coisas acontecem por um motivo (altas filosofias!!!).

É. Nada como falar inglês. Eu estava QUASE certa disso quando chegou um outro bobo perdido na Holding Room... E foi só então que eu REALMENTE tive certeza de que falar inglês - OU QUALQUER OUTRA LÍNGUA ENTENDÍVEL - num momento desse não tem preço!!!

O Turco
Na hora, eu torci pra minha cara ter sido um pouco melhor do que a do rapaz, mais ou menos da minha idade, que chegou na sala. Ele tava MUITO desolado, e MUITO assustado... Quase me senti uma veterana, na hora! HAHAHAHA...

O GRANDE problema era que ele não falava NADA de inglês, exceto o clássico "No English". Não obstante, ele também não falava francês, alemão, espanhol ou, sei lá, grego. NÃO! Ele só falava TURCO. TURCO. Logo, TURCO. Imagina o quanto ele não esperou até surgir um "entrevistador" oficial que falasse turco?

Não é necessário falar que toda a boa vontade que o pessoal da Holding Room tinha comigo não se manifestou mediante um cara que, além de não entender nada do que ninguém falava pra ele, ainda tinha entrado no país dos caras sem passaporte (mesmo que ele tenha perdido o dele, como eu, a primeira reação é sempre desconfiança, né) e sem falar uma palavra da língua deles. Nem por isso ele foi mau-tratado: ele recebeu comida, toalha pra tomar banho, direito a telefonema e conforto, mas nada comparado à minha tarde cinematográfica regada a chocolate quente.

Ponte Aérea
12 horas depois de deixar Copenhagen, cá estava eu de novo, após ter sido embarcada com prioridade na primeira fileira do voo, agarrada em um envelope contendo algum tipo de documento no estilo: "Essa mané perdeu o Passaporte, deixa ela entrar."
Ai ai. Tudo isso pra ver Jurassic Park! Acho que nem se eu tivesse visto o filme no Parque do Hammond eu teria pagado tanto!!! Hahahaha... Bom, pelo menos foi Jurassic Park em London e não Super Xuxa Contra o Baixo-Astral em São Paulo, vejam vocês. Otimismo. Sempre!

Em Busca de um Novo Passaporte
Nada melhor que um dia após o outro, com uma noite no meio. Já diria a Vó Antônia! Nem precisa falar que a noite foi horrível e que eu me sentia a pessoa mais idiota do Mundo. Provavelmente, naquele momento, eu era uma das mais idiotas. HAHAHA... Além da vergonha de ter sido anta, eu estava culpada de ter desperdiçado a grana e a oportunidade de estar em London por uma burrada, e ainda tinha deixado a Dê sozinha e preocupada em London.

Mas no dia seguinte eu realizei que não tinha muita escolha naquele momento senão fazer alguma coisa e arrumar um Passaporte novo, no qual eu pudesse grudar e nunca mais largar. Nesse momento eu ainda achava que ia demorar um mês pra sair um documento novo, e minha preocupação era a viagem pra Paris e Milão, em novembro, que já tá comprada e muito esperada.

Nossa, COMO eu subestimei a nossa Embaixada!
Primeiro, deixa eu explicar que quando eu liguei pra mamãe tentando segurar o choro e explicando em palavras sucintas que eu tinha sido uma mané e tinha conseguido fazer a única coisa que não se pode fazer em outro país, ela foi super rápida e esperta e ligou pra Embaixada no Brasil. Por sua vez, o responsável do Brasil ligou para o plantonista aqui na Dinamarca (o Zelon, preciso falar dele =)) e já deixou todo mundo a par da minha aventura. Depois, o Zelon fez um documento, entrou em contato com o aeroporto e tentou se certificar de que eu não teria problemas pra entrar de novo na terra dos vikings (no fim, como eu tenho documento dinamarquês, não foi problema, mas enfim).

Ou seja: no dia seguinte, quando eu cheguei na Embaixada - depois de um rolê por uma parte distante da cidade atrás do endereço ANTIGO da Embaixada (HAHAHA) - veio o Zelon em pessoa, todo espalhafatoso, perguntando se era eu "a Janayna, filha da Nilce". HAHAHA me senti muito em casa. Todo mundo falando português, a salinha da recepção cheia de VEJA, pessoas não estonteantemente loiras e lindas...

De qualquer maneira, em cinco minutos o cara começou a fazer a documentação pro meu novo Passaporte e, como o Mundo é menor do que um umbiguinho, ele tinha estudado no COTUCA e na UNICAMP. Hahahahahahahaha... Nem comento nada. Vai ver por isso que o negócio foi rápido (Há!). Aí foi SÓ pagar a taxa da bagaça (também, tava querendo muito que fosse de graça, né) e pronto. Terminei a tarde conversando com o pessoal da embaixada sobre como Deus faz as coisas no momento certo, no fim ainda ouvi um "Boa sorte, JANA!!!" do Zelon, meu amigo íntimo. Hahahahahaha...

B.O.
Por fim, precisava ainda de um B.O. europeu para me certificar que na Europa meu Passaporte estaria "bloqueado" também, já que no Brasil estava todo mundo avisado. Também precisava do documento pra levar na Embaixada no dia seguinte e terminar o processo do Passaporte novo. Lá fui eu, quase uma dinamarquesa, aplicar todo o meu talento de uso do transporte público. Dois ônibus, ajuda de uma velhinha e de um cara e nenhum incidente depois, cheguei na delegacia "mor" de Frederiksberg, minha kommune, e fui super bem atendida. O policial fez o B.O. rapidão, falando comigo em inglês perfeito, e super bem humorado. Ainda vi um dos homens mais lindos da minha vida, juro: um policial novinho que chegou depois na delegacia. Sério, sem brincadeira, ele era estonteantemente maravilhoso, e sarado, ainda. HAHAHAHA...

Devidamente Documentada
Assim, depois de levar o B.O. na Embaixada antes de ontem, ontem mesmo já tinha um Passaporte novo entregue na Embaixada. Só precisei passar lá pra pegar, e agora ele está devidamente enfiado no lugar mais seguro da minha casa, de onde só sairá para ser grudado dentro do Money Belt, por sua vez grudado em mim, na minha próxima viagem (a princípio, Paris+Milão em novembro).

Conclusão: se por um acaso você acha que tem uma mínima chance de perder seu Passaporte, o faça na Dinamarca: você será super bem atendido pela Embaixada. Hahahaha... Mas, por via das dúvidas, grude naquela porcariazinha de caderninho azul cheios das bichices como se sua vida dependesse disso! O trabalho e as despesas vão ser muito menores, a culpa e a vergonha também!!!

Bom, esse post termina por aqui, pra deixar registrado pra sempre essa história maluca que serviu pra me dar uma puta de uma lição... Como eu obviamente não tenho fotos de London (não podia tirar fotos na salinha! Droga! Hahahaha...) vou colocar aqui a minha única foto no aeroporto de København, quanfo ainda tava tudo lindo, e depois dos meus documentos de "expulsão" da KU... HAHAHA antes isso do que nada, né?

Afinal, como diria minha irmã filósofa, VOCÊ VAI CONTAR O QUÊ PROS SEUS NETOS? QUE FICOU JOGANDO DOMINÓ?

Vi ses, pessoal!!!
Farvel og heeeej, heeeeeeeeeeeeeeej!

Um comentário:

Amanda disse...

Jana, deixei minhas marcas em vc!Adoro o modo como vc relata tudo!!!BESITOS

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